1973 foi o ano de O Padrinho, o Exorcista, o ano em que se ouvia Angie dos Rolling Stones ou o The Dark Side of the Moon dos Pink Floyd, uma e outra vez. Também foi o ano em que morreu Picasso e estalou o escândalo o Watergate. Mas muito poucos sabem que também foi o ano em que Martin Cooper mudou o mundo para sempre.

Em 1973, Martin telefonou a Joel S. Engel, o seu rival na Bell Laboratories de uma rua de Nova Iorque e disse: “Joel, estou a ligar-lhe de um telefone celular, um telefone celular de verdade, um portátil! ”. Estas foram as primeiras palavras emitidas desde um telefone sem fios.

Esta frase, menos popular que “Sr. Watson, venha aqui. Quero vê-lo” de Graham Bell em 1876, certificava que Martin Cooper, e a sua equipa de engenheiros, tinha conseguido converter em móvel uma tecnologia já centenária. O impacto mediático foi enorme, mas só 10 anos mais tarde se comercializou o primeiro telefone com esta tecnologia. O primeiro telemóvel foi vendido em outubro de 1983 por 3.900 dólares e o seu uso não se democratizou antes de 1990.

Martin Cooper- MyBQ

The Brick (o tijolo) como ficou conhecido, tinha umas dimensões de acordo com o nome (quase 800gm de peso, 33 cm de altura, 8,9cm de espessura e uma autonomia de 35minutos). Se eras nascido nos anos 80, poderás recordá-lo por ser o telefone de Zack Morris no filme Saved by the bell.

Martin disse em inúmeras entrevistas que não esperava tudo o que sucedeu com o telemóvel nos últimos 20 anos ainda que sempre tenha trabalhado para que a tecnologia chegasse a todos. A tecnologia e os engenheiros como Cooper transformaram o impensável em algo quotidiano, o que até acontece com bastante frequência. No entanto, poucos são os que provocam tal impacto social como o caso da invenção do telemóvel. Atualmente há mais de 700 milhões de telemóveis em todo o mundo, mais que um por pessoa.

A mente inquieta de Cooper, aos 87 anos, continua a pensar em tecnologias de futuro através de Dyna LLC, uma incubadora de projetos relacionados com as redes de telefonia e crê que o grande desafio é diminuir a dependência de carregadores nos atuais smartphones.

A sua máxima é que as pessoas têm mobilidade e tudo o que as pare, não é natural. Nas suas próprias palavras: “If you tell people they need to be connected by a wire, something is wrong.”

Se tiver interesse em saber mais sobre os seus projetos, pode seguir a sua conta de Twitter @MartyMobile.